Nasceu assim, sem coração.
Para que sobrevivesse foi introduzido um coração postiço, e mesmo assim os médicos não acreditam em mais alguns poucos anos de vida. Mas ainda assim o menino resistiu a muitos anos.
Na escola as os outros caçoavam da sua condição, dizendo que ele não podia amar. Assim, vivia sozinho, se virava sozinho. Chorava as vezes para desabafar. Mas ele aprendeu a viver assim. Conformar. O menino que não podia amar.
E um dia, como já era previsto, seu coração apresentou problemas. E ele foi submetido a vários exames e ninguém mais sabia o que fazer. Nenhum médico sabia o que era.
E no hospital, ele conhece uma menininha, muito linda, cheia de amor. E logo de inicio se tornam próximos. Se tornam confidentes um do outro. Descobre a saudade, o sentimento de proteção, cuidar, saber ouvir. Descobre que ele pode ser bom para alguém, fazer o bem para ela. Amor.
E com o tempo os dois começam a se curar. Novamente os médicos se calam, sem explicações. Os mais fiéis dizem que foi milagre, obra de Deus. Mas eu prefiro acreditar que o amor nos trás a vontade de viver. Viver para proteger a pessoa que ama. Viver por que é bom sentir amor. Viver para tentar ser amado por alguém. O amor traz esperanças para o futuro, traz a vontade de viver cada segundo da vida. Talvez faltasse isso na vida dos dois.
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